IOV – ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DE FOLCLORE E ARTES POPULARES
Carta inédita une folcloristas e projeta novas diretrizes para a cultura popular no Brasil
No dia 22 de abril de 2026, foi lançada oficialmente, em formato virtual, a Carta Brasileira dos Folcloristas, reunindo representantes de todo o Brasil em um momento histórico para a cultura popular.
O documento é resultado das reflexões e debates do I Congresso Brasileiro de Folcloristas, realizado de 11 a 15 de março de 2026, na cidade de Araçatuba – São Paulo, com a participação de folcloristas, mestres da cultura popular, pesquisadores e agentes culturais de diferentes regiões do país.
Registrada sob o nº 1.474.629, em 15 de abril de 2026, no 9º Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de São Paulo, a Carta consolida um compromisso coletivo com a valorização, preservação e fortalecimento do folclore brasileiro.

CARTA BRASILEIRA DOS FOLCLORISTAS
I Congresso Brasileiro de Folcloristas – IOV Brasil
Araçatuba – São Paulo – Brasil
11 a 15 de março de 2026
Apresentação
Da cidade de Araçatuba, no interior do Estado de São Paulo, entre os dias 11 e 15 de março de 2026, ergue-se a Carta Brasileira dos Folcloristas como expressão viva de um encontro histórico entre saberes, territórios e gerações.
Construída no âmbito do I Congresso Brasileiro de Folcloristas – IOV Brasil, esta Carta nasce da escuta, do diálogo e da experiência compartilhada entre mestres e mestras da cultura popular, pesquisadores, educadores, artistas, estudantes e agentes culturais de todas as regiões do país.
Mais do que um documento, esta Carta é um movimento. É o encontro entre tradição e futuro. É a afirmação de que o folclore brasileiro não é passado, é presença viva, pulsante, em constante transformação.
A International Organization of Folk Art, por meio da IOV Brasil – Pontão de Cultura, reafirma seu compromisso com a salvaguarda, valorização e difusão das culturas populares, fortalecendo redes, conectando territórios e promovendo o diálogo entre os povos, em consonância com os princípios da UNESCO.
Esta Carta reconhece o folclore como patrimônio cultural imaterial vivo, essencial à identidade brasileira. Ele se manifesta nas festas, nas danças, nas músicas, nos saberes, nas narrativas, nas crenças e nos modos de viver do povo. Ele está na memória, mas também está no agora, sendo recriado a cada gesto, a cada canto, a cada celebração.
Ser folclorista é assumir um compromisso com essa continuidade. É ser ponte entre gerações. É cuidar da memória enquanto se constrói o futuro. É reconhecer que o conhecimento não está apenas nos livros, mas também nas mãos que criam, nas vozes que cantam e nos corpos que dançam.
No século XXI, esse papel se amplia. O folclorista torna-se também comunicador, educador e articulador cultural, utilizando novas linguagens e tecnologias para dar visibilidade às culturas populares, sem perder o respeito às suas origens e significados.
Esta Carta se insere na trajetória histórica do pensamento folclorista brasileiro, dialogando de forma respeitosa com a Carta do Folclore Brasileiro de 1995, sem substituí-la, mas complementando-a ao destacar o papel dos sujeitos que mantêm viva a cultura: os folcloristas.
Ao longo do Congresso, foram construídos caminhos que orientam o presente e projetam o futuro. Entre eles, destacam-se a salvaguarda das tradições, a ética na atuação cultural, a integração entre educação e cultura, o fortalecimento da pesquisa e da difusão, e a construção de políticas públicas estruturantes.
Reafirma-se a importância de reconhecer e valorizar mestres e mestras da cultura popular como guardiões de saberes ancestrais. Destaca-se, também, o papel da juventude como protagonista na continuidade e reinvenção das tradições.
A Carta apresenta proposições que visam fortalecer o folclore brasileiro em todo o território nacional, por meio da criação de espaços de transmissão de saberes, programas de formação, incentivo à infância cultural, valorização do artesanato, integração entre cultura e educação, e ampliação da difusão cultural em nível nacional e internacional.
Reconhece-se, ainda, o folclore como parte fundamental das políticas culturais do Brasil, amparado por dispositivos legais como a Constituição Federal de 1988 e pelas diretrizes internacionais estabelecidas pela UNESCO, reafirmando-o como patrimônio vivo da humanidade.
Esta Carta também assume o compromisso com a valorização histórica das mulheres no folclore brasileiro, reconhecendo a contribuição de pioneiras como Alexina de Magalhães Pinto e tantas outras que construíram e continuam construindo o campo da cultura popular no Brasil.
Ao mesmo tempo, presta reconhecimento aos grandes nomes que estruturaram os estudos do folclore brasileiro, como Luís da Câmara Cascudo e Mário de Andrade, cujos legados seguem iluminando o presente.
Esta Carta é, sobretudo, um compromisso.
Compromisso com a memória.
Compromisso com a identidade.
Compromisso com o futuro.
Os folcloristas do Brasil assumem a responsabilidade de proteger, valorizar e difundir as culturas populares, garantindo que cada manifestação continue viva, respeitada e em constante transformação.
Que este documento sirva como guia, inspiração e referência para todos aqueles que acreditam na força da cultura popular brasileira.
Que cada saber preservado seja semente.
Que cada prática compartilhada seja caminho.
Que cada memória transmitida seja permanência.
Na união dos folcloristas, afirmamos com convicção:
O folclore brasileiro não será esquecido.
Ele viverá, crescerá e continuará a encantar as gerações presentes e futuras.
“Esta Carta insere-se no percurso histórico do pensamento folclorista brasileiro, estabelecendo diálogo com marcos anteriores e contribuindo para a continuidade e atualização desse campo no contexto contemporâneo, conforme apresentado a seguir.”
Nota de Integração Histórica
A presente Carta Brasileira dos Folcloristas insere-se no percurso histórico do pensamento folclorista nacional, dialogando com a Carta do Folclore Brasileiro, atualizada em 1995, durante o VIII Congresso Brasileiro de Folclore, realizado em Salvador, Bahia.
Reconhecida como um marco na modernização dos estudos e das diretrizes do folclore no Brasil, a Carta de 1995 consolidou uma compreensão ampliada e contemporânea da cultura popular, estabelecendo fundamentos essenciais para a valorização, pesquisa e difusão das manifestações culturais brasileiras.
É fundamental ressaltar que a Carta Brasileira dos Folcloristas não tem como objetivo interferir, revisar, substituir ou se sobrepor à Carta do Folclore Brasileiro de 1995, tampouco relativizar sua importância histórica, conceitual e institucional.
Ao contrário, reconhece-se plenamente sua relevância como referência estruturante do pensamento folclórico no Brasil.
O I Congresso Brasileiro de Folcloristas, que deu origem à presente Carta, foi concebido com um propósito distinto e complementar: refletir, afirmar e orientar o papel dos folcloristas no contexto contemporâneo, considerando os desafios, transformações e responsabilidades do século XXI.
Nesse sentido, enquanto a Carta de 1995 estabelece diretrizes fundamentais para a compreensão do folclore como campo de estudo e expressão cultural, a presente Carta volta-se à valorização dos sujeitos que o vivenciam, pesquisam, preservam e difundem os folcloristas, reafirmando seu compromisso ético, social e cultural com a salvaguarda do patrimônio imaterial brasileiro.
Dessa forma, ambos os documentos se posicionam de maneira harmônica e complementar, contribuindo, em conjunto, para o fortalecimento, a continuidade e a projeção do folclore brasileiro.
“Entre a compreensão do folclore como cultura viva e a atuação dos folcloristas, constrói-se a continuidade dinâmica da identidade cultural brasileira.”
- O que é o Folclore
O folclore constitui o conjunto de saberes, práticas, expressões, tradições e modos de vida que emergem da experiência coletiva do povo, sendo transmitidos de geração em geração, principalmente por meio da oralidade, da vivência e da prática cultural.
Mais do que um conjunto de manifestações do passado, o folclore é um patrimônio cultural imaterial vivo, dinâmico e em constante transformação, que reflete a identidade, a memória e a diversidade dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.
Manifesta-se nas festas, nas danças, nas músicas, nos saberes tradicionais, nas narrativas, nas crenças, no artesanato, nas brincadeiras, nas formas de expressão e nos modos de viver do povo.
O folclore não se limita ao tempo passado, nem se restringe a espaços específicos. Ele se reinventa continuamente, acompanhando as transformações sociais, culturais e tecnológicas, sem perder suas raízes.
Reconhecer o folclore é reconhecer o Brasil em sua essência plural, diversa e viva.
Assim, o folclore não pertence apenas ao passado, mas vive no presente, nas mãos dos mestres e mestras da cultura popular, nas práticas das comunidades e no olhar atento das novas gerações de folcloristas, que dão continuidade a esse patrimônio com respeito às suas origens, seus significados e sua ancestralidade.
- O que é ser folclorista
Ser folclorista é reconhecer que a cultura do povo constitui uma das mais profundas expressões da identidade de uma nação.
Ser folclorista é estudar, preservar, praticar, ensinar, registrar e transmitir os saberes da cultura popular.
O folclorista pode ser o mestre que ensina pela tradição oral, o pesquisador que documenta e interpreta, o educador que leva o folclore para a escola, o artista que transforma a tradição em linguagem estética ou o jovem que decide dedicar sua vida à preservação da memória cultural de seu povo.
Ser folclorista é atuar como guardião da memória coletiva e mediador entre gerações, garantindo que os conhecimentos herdados do passado continuem presentes no futuro.
Ser folclorista é também assumir um compromisso ético com as comunidades portadoras das tradições culturais, respeitando suas origens, seus significados e seus modos de expressão.
- O papel do folclorista no século XXINo século XXI, o folclorista assume um papel mais amplo, sensível às transformações culturais e tecnológicas do nosso tempo.
Mais do que pesquisador, ele é educador, comunicador e guardião das tradições, conectando saberes, experiências e gerações. Cabe ao folclorista aproximar o antigo e o novo, garantindo que as histórias, músicas, danças e saberes transmitidos pelos mestres da cultura popular continuem a dialogar com os jovens, inspirando criatividade e pertencimento.
Em um mundo conectado, o folclorista também se torna ponte entre passado e futuro, utilizando mídias digitais e novas linguagens para dar voz e visibilidade às culturas populares, sempre com respeito, ética e cuidado.
Assim, o folclorista do século XXI mantém viva a chama da memória cultural, transformando cada prática, cada gesto e cada história em sementes de identidade, conhecimento e esperança para o Brasil.
Ética e responsabilidade dos folcloristas
Os folcloristas assumem o compromisso de atuar com ética, respeito e responsabilidade na preservação, estudo e divulgação das manifestações culturais. Isso envolve:
- Reconhecer e valorizar o protagonismo de mestres, mestras e detentores dos saberes tradicionais, respeitando autoria, contextos culturais e consentimento das comunidades;
- Garantir que a comunicação e registro do folclore sejam realizados de forma responsável, evitando apropriação indevida e exploração cultural;
- Compreender o folclore como patrimônio vivo, que exige luta por reconhecimento, valorização social e políticas públicas de apoio aos mestres e às práticas culturais;
- Promover condições para a continuidade da cultura popular, incluindo espaços de apresentação, incentivo a programas educativos, editais culturais e registros de patrimônio;
- Valorizar a memória, a tradição e a identidade cultural como atos de responsabilidade social, ética e política.
Este compromisso ético reforça que preservar e difundir o folclore não é apenas celebrar o passado, mas também garantir que a cultura popular continue viva, dinâmica e significativa para as futuras gerações.
4. Eixos Temáticos do Congresso
Durante a realização do I Congresso Brasileiro de Folcloristas, foram estruturados e desenvolvidos eixos temáticos que orientaram os debates, reflexões e construções coletivas que deram origem à presente Carta.
Esses eixos constituíram fundamentos organizadores do pensamento folclorista contemporâneo, permitindo a articulação entre tradição, ética, formação, políticas públicas e projeção futura do folclore brasileiro. Mais do que temas, representaram caminhos de análise e aprofundamento, reunindo diferentes experiências, saberes e perspectivas de todo o país.
A partir desses diálogos, consolidaram-se contribuições essenciais que embasam os princípios, diretrizes e proposições aqui apresentados.
Os eixos temáticos foram assim definidos:
Eixo I – Raiz
Salvaguarda e valorização do folclore.
A salvaguarda e a valorização do folclore constituem fundamentos essenciais para a preservação da identidade cultural, da memória coletiva e da diversidade do povo brasileiro, sendo reconhecidas como dimensões do patrimônio cultural imaterial.
No Brasil, essas ações envolvem a proteção, o registro, a promoção e a continuidade das tradições, saberes e expressões populares, transmitidas entre gerações e enraizadas nos territórios culturais. A salvaguarda compreende processos de identificação, documentação e transmissão desses saberes, enquanto a valorização promove o reconhecimento, o respeito e o fortalecimento das identidades culturais.
Destaca-se a atuação de instituições como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, fundamentais na proteção, pesquisa e difusão das manifestações culturais brasileiras.
A valorização do folclore contribui diretamente para a formação da identidade nacional, integrando as diversas matrizes culturais e fortalecendo valores sociais, educativos e ambientais. Além disso, desempenha papel estratégico no desenvolvimento sustentável, por meio da economia criativa, do artesanato e do turismo cultural.
Amparado pela Constituição Federal, especialmente nos artigos 215 e 216, o folclore brasileiro é reconhecido como patrimônio vivo, cuja preservação exige equilíbrio entre continuidade e transformação diante dos desafios contemporâneos.
Assim, salvaguardar e valorizar o folclore não é apenas preservar o passado, mas garantir a continuidade de uma cultura viva, dinâmica e essencial para o futuro da nação.
Eixo II – Consciência
Ética e Responsabilidade dos Folcloristas
A atuação no campo do folclore exige um compromisso ético fundamentado no respeito às comunidades, aos mestres e mestras da cultura popular e aos contextos em que os saberes são produzidos e transmitidos.
O trabalho do folclorista envolve pesquisa, registro e difusão das manifestações culturais, devendo ser realizado com responsabilidade, garantindo o reconhecimento das comunidades como detentoras legítimas de seus saberes. A valorização do folclore implica assegurar o consentimento, respeitar a autoria coletiva e evitar distorções ou usos descontextualizados das expressões culturais.
A ética no folclore também exige o enfrentamento da apropriação cultural indevida e o compromisso com a justiça cultural, contribuindo para a valorização e a dignidade dos povos que mantêm vivas as tradições.
Assim, atuar com ética no folclore é reconhecer que cada manifestação cultural carrega identidade, memória e modos de vida, exigindo sensibilidade, respeito e responsabilidade em sua preservação e difusão.
Eixo III – Futuro
Educação, Pesquisa e Difusão do Folclore
A continuidade do folclore brasileiro depende da integração entre educação, pesquisa e difusão cultural, assegurando a transmissão dos saberes entre gerações.
No campo educacional, o folclore deve ser incorporado de forma contínua e contextualizada, valorizando as realidades locais e promovendo vivências com mestres da cultura popular. A formação de educadores e a produção de materiais pedagógicos são fundamentais para fortalecer sua presença nos espaços de ensino.
A pesquisa deve ser ampliada e democratizada, promovendo o diálogo entre universidades e comunidades, com reconhecimento dos mestres como detentores dos saberes. Já a difusão assume papel estratégico por meio das tecnologias digitais, ampliando o alcance e a visibilidade das manifestações culturais.
Nesse contexto, a juventude é protagonista na preservação e reinvenção das tradições, garantindo que o folclore permaneça vivo, dinâmico e significativo para as futuras gerações.
Eixo IV – Estrutura
Políticas Públicas e Cooperação Cultural
O fortalecimento do folclore brasileiro depende da consolidação de políticas públicas estruturantes que garantam sua continuidade, valorização e reconhecimento como patrimônio cultural imaterial.
É fundamental ampliar mecanismos de proteção, registro e salvaguarda, promovendo a participação das comunidades e fortalecendo instâncias locais de gestão cultural. A articulação entre sociedade civil e poder público é essencial para assegurar a integridade das manifestações culturais e enfrentar processos de invisibilização.
O financiamento da cultura deve ser fortalecido por meio de políticas de fomento acessíveis, garantindo sustentabilidade às práticas culturais e aos territórios. A cooperação cultural, em âmbito nacional e internacional, amplia o intercâmbio de saberes e fortalece redes de valorização da cultura popular.
Dessa forma, a estruturação de políticas públicas integradas assegura não apenas a preservação, mas também a projeção e a sustentabilidade do folclore brasileiro.
- Proposições Nacionais para o Fortalecimento do Folclore Brasileiro
Com base nas reflexões e diretrizes construídas coletivamente no I Congresso Brasileiro de Folcloristas, apresentam-se programas e ações estratégicas voltadas à valorização, transmissão e sustentabilidade das culturas populares em todo o Brasil. Estas proposições buscam fortalecer o trabalho dos folcloristas, assegurar a continuidade das tradições e inspirar novas gerações a manter viva a riqueza cultural de nosso país.
Programa Casas de Saberes dos Mestres da Cultura Popular
Propõe-se a criação de espaços permanentes de convivência cultural, onde Mestres e Mestras da cultura popular possam compartilhar seus saberes de forma contínua. Estes espaços funcionarão como centros de memória viva, formação cultural e fortalecimento das tradições nos territórios, com especial atenção à integração com escolas públicas, privadas e universidades. O objetivo central é divulgar o folclore, garantindo que as tradições continuem vivas, inspirando novas gerações e promovendo o reconhecimento do patrimônio cultural brasileiro.
Programa Jovens Folcloristas do Brasil
Incentiva a formação de jovens para atuar no campo da cultura popular, desenvolvendo competências em linguagens contemporâneas, tecnologias digitais, produção audiovisual e estratégias de difusão cultural.
O programa integra ferramentas digitais, redes sociais, plataformas interativas e recursos de comunicação online, ampliando o alcance das práticas folclóricas e conectando jovens de diferentes regiões do país.
Ao fortalecer o protagonismo juvenil, a iniciativa garante que as tradições culturais sejam preservadas, reinventadas e divulgadas de forma criativa, garantindo que a memória, a identidade e os saberes dos mestres da cultura popular continuem vivos e inspiradores para as novas gerações.
Folclore na Infância: Projetos Educativos e Criação Cultural
Os folcloristas têm o papel de aproximar as tradições populares das crianças, introduzindo-as desde cedo ao universo rico e diverso do folclore brasileiro. Por meio de aulas de música, artes, dança, teatro de bonecos, brincadeiras, jogos e práticas lúdicas, as crianças aprendem a valorizar e vivenciar as expressões culturais de seus territórios e do Brasil como um todo.
Esses projetos educativos não apenas transmitem saberes tradicionais, mas despertam a curiosidade, a criatividade e o senso de pertencimento das novas gerações, fortalecendo a identidade cultural desde os primeiros passos escolares. Ao integrar práticas pedagógicas e folclóricas, os folcloristas transformam escolas em espaços vivos de memória, aprendizagem e criação, garantindo que as tradições populares não apenas sejam lembradas, mas reinventadas e celebradas.
Ao olhar para as crianças, o folclorista planta sementes que florescerão em jovens conscientes e apaixonados pelo patrimônio cultural brasileiro, assegurando que cada brincadeira, cada música e cada história contada continue a pulsar nos corações das gerações que virão.
Programa “Escola de Samba vai à Escola”
Integração entre cultura popular e educação, levando as escolas de samba aos ambientes escolares como espaços de formação cultural e valorização da memória. O programa destaca a importância do trabalho realizado pelas escolas de samba ao longo de todo o ano, incluindo a educação sobre sua história, tradições, ritmos, artes e práticas culturais. As escolas de samba são reconhecidas como centros vivos de patrimônio cultural, transmitindo saberes, criatividade e identidade, e preparando o terreno para que os desfiles carnavalescos se tornem apenas a culminância de um processo educativo e cultural contínuo, vivido e compartilhado por jovens, educadores e comunidades.
Ciclos de Palestras e Atividades Formativas
Instituições culturais, universidades e organizações folclóricas realizam encontros, palestras e oficinas que fortalecem o conhecimento, a reflexão crítica e a prática cultural. Essas iniciativas promovem a transmissão dos saberes tradicionais, estimulam a pesquisa e inspiram os jovens folcloristas, garantindo a continuidade das tradições brasileiras. A ampliação dessas atividades é essencial para formar e engajar os futuros guardiões do folclore, consolidando um campo cultural vivo, dinâmico e conectado com a sociedade contemporânea.
Programas Anuais de Valorização do Artesanato Tradicional
Folcloristas são estimulados a promover o artesanato como expressão cultural, dando visibilidade aos trabalhos de artesãos que ainda atuam de forma anônima em todas as regiões do país. A colaboração com instituições de referência, como a IOV Brasil e Pontos de Cultura, amplia a divulgação, garante o reconhecimento dos saberes tradicionais e fortalece a transmissão de técnicas e histórias para novas gerações.
Formação Acadêmica e Técnica em Cultura Popular
A valorização e o fortalecimento do folclore passam pela formação qualificada de novos atores culturais. Nesse sentido, são promovidos cursos de pós-graduação em Folclore e Artes Populares, em parceria com instituições de ensino, além de programas de capacitação para a juventude por meio de plataformas como a Co.liga da Fundação Roberto Marinho.
Complementando essa formação, os Encontros Nacionais de Jovens Folcloristas reúnem anualmente jovens de todas as regiões do Brasil, incentivando a participação ativa, a reflexão sobre temas atuais da cultura popular e a troca de experiências, fortalecendo o protagonismo juvenil na preservação, reinvenção e difusão das tradições culturais.
Oficinas Práticas e Teóricas com Especialistas
São promovidas oficinas presenciais e online, de abrangência nacional, conduzidas por especialistas, mestres e pesquisadores do folclore e das artes populares. Essas atividades buscam compartilhar saberes, técnicas e experiências, fortalecendo a formação de folcloristas, artistas e interessados em cultura popular. A divulgação ampla garante que participantes de diferentes regiões possam acessar conteúdos teóricos e práticos, estimulando a troca de conhecimentos, a preservação das tradições e a criação de novas práticas culturais.
Congressos e Encontros Folclóricos
Fortalecimento do campo cultural.
Os congressos e encontros folclóricos são muito mais que eventos: são celebrações da memória viva do nosso povo. Reunindo folcloristas, mestres, pesquisadores e jovens de todas as regiões, esses encontros transformam saberes em experiências compartilhadas, histórias em inspiração e tradições em legado. Cada diálogo, cada apresentação, cada demonstração artística fortalece os laços entre passado, presente e futuro, garantindo que a cultura popular continue pulsando, ensinando e encantando. São espaços onde a emoção encontra o conhecimento, onde a criatividade floresce e onde os jovens folcloristas descobrem a força de suas raízes, prontos para reinventar e perpetuar nossas tradições para as próximas gerações.
Programa de Formação de Jurados da Cultura Junina
Capacitação de profissionais para atuar na avaliação das manifestações da cultura junina, promovendo a valorização das tradições populares, do patrimônio imaterial e das práticas culturais que marcam as festas de São João, São Pedro e Santo Antônio. Realizado pela Academia Brasileira da Cultura Junina, o programa fortalece o conhecimento, a preservação e a difusão dessa expressão essencial do folclore brasileiro, integrando pesquisa, prática e educação.
- Marco legal do Folclore no Brasil
Constituição Federal de 1988
- Art. 215 – Direitos culturais garantidos
• Art. 216 – Define patrimônio cultural material e imaterial
– Base jurídica da cultura no Brasil.
Complemento Constitucional – Cultura como Direito Fundamental
A Constituição Federal de 1988 estabelece a cultura como um direito fundamental e um patrimônio coletivo da sociedade brasileira, consolidando as bases jurídicas para a proteção, valorização e difusão das manifestações culturais no país.
Por meio dos artigos 215 e 216, o Estado brasileiro garante o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes da cultura nacional, reconhecendo e protegendo a diversidade das expressões culturais que compõem a identidade do Brasil, incluindo as culturas populares, indígenas e afro-brasileiras.
A Constituição define o patrimônio cultural brasileiro como o conjunto de bens de natureza material e imaterial que fazem referência à identidade, à memória e aos modos de vida dos diferentes grupos formadores da nação, abrangendo formas de expressão, saberes, celebrações e práticas culturais transmitidas ao longo das gerações.
Estabelece, ainda, instrumentos de preservação e salvaguarda, como inventários, registros e outras formas de proteção, a serem realizados com a participação da sociedade, reafirmando o caráter coletivo da cultura.
Nesse contexto, destaca-se a criação do Sistema Nacional de Cultura, que organiza a gestão das políticas culturais de forma descentralizada e colaborativa entre os diferentes entes federativos, fortalecendo a articulação institucional e a democratização do acesso à cultura.
Dessa forma, a Constituição Federal não apenas reconhece a cultura como elemento essencial da cidadania, mas também atribui ao Estado e à sociedade a responsabilidade compartilhada de proteger, valorizar e garantir a continuidade das expressões culturais brasileiras, entre elas o folclore, como patrimônio vivo da nação.
6.1 Direcionamentos Estratégicos para o Futuro do Folclore Brasileiro
A partir das reflexões do I Congresso Brasileiro de Folcloristas, consolidam-se os seguintes direcionamentos estratégicos para o fortalecimento das culturas populares no Brasil:
- Formação de novas gerações
Fortalecer programas voltados à juventude, promovendo a formação de jovens folcloristas capacitados para atuar na pesquisa, no registro e na difusão das culturas populares. - Valorização dos Mestres e Mestras
Incentivar ações que reconheçam, registrem e garantam dignidade aos detentores dos saberes tradicionais.
III. Implantação das Casas de Saberes
Estimular a criação de espaços de convivência cultural onde o conhecimento tradicional seja transmitido de forma contínua.
- Fortalecimento da infância cultural
Promover a inserção do folclore nas escolas e em projetos educativos, garantindo que as crianças vivenciem as tradições desde a primeira infância. - Difusão nacional e internacional
Ampliar a visibilidade das culturas populares brasileiras por meio de redes, intercâmbios e uso das tecnologias contemporâneas. - Formação continuada dos folcloristas
Incentivar cursos, seminários e encontros que fortaleçam o papel do folclorista como educador, pesquisador e agente cultural.
VII. Articulação de políticas públicas
Atuar junto aos entes públicos e instituições para fortalecer programas, editais e ações estruturantes voltadas à cultura popular.
6.2 Decreto nº 3.551/2000
Institui o Registro de Bens Culturais Imateriais e o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial.
Por meio desse instrumento, o Estado brasileiro reconhece oficialmente as manifestações culturais como patrimônio vivo, garantindo mecanismos de identificação, registro, valorização e salvaguarda dos saberes, práticas, celebrações e formas de expressão que compõem o folclore nacional.
O decreto estabelece que a proteção do patrimônio imaterial deve ocorrer de forma contínua, envolvendo não apenas o reconhecimento formal, mas também ações efetivas de acompanhamento, apoio e transmissão desses bens culturais às futuras gerações.
Nesse contexto, destaca-se a atuação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na implementação de políticas de registro e salvaguarda, assegurando que as manifestações culturais sejam preservadas em seus contextos sociais e com a participação das comunidades detentoras dos saberes.
Dessa forma, o Decreto nº 3.551/2000 consolida o entendimento do folclore como patrimônio cultural imaterial dinâmico, reforçando o compromisso do Estado brasileiro com sua proteção, valorização e continuidade.
6.3 Decreto nº 7.387/2010
Reconhece a diversidade linguística como patrimônio cultural.
Por meio desse instrumento, o Estado brasileiro valoriza não apenas as línguas indígenas e de comunidades tradicionais, mas também as múltiplas formas de expressão presentes no cotidiano do povo, incluindo sotaques, dialetos, narrativas orais, cantos, rezas e modos de falar que constituem o universo do folclore.
A oralidade, como base da transmissão dos saberes populares, é reconhecida como um dos principais meios de preservação da memória coletiva, garantindo a continuidade das tradições culturais ao longo das gerações.
Nesse contexto, o decreto fortalece a compreensão de que proteger o folclore é também preservar suas formas de expressão linguística, respeitando a diversidade cultural e assegurando o direito à livre manifestação dos saberes e identidades dos diferentes grupos que formam o Brasil.
Dessa forma, a diversidade linguística se consolida como elemento essencial do patrimônio cultural imaterial, contribuindo para a valorização, a transmissão e a continuidade das culturas populares brasileiras.
6.4 Convenção da UNESCO (2003)
Ratificada pelo Brasil, estabelece diretrizes internacionais de salvaguarda.
A Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, adotada pela UNESCO em 2003 e ratificada pelo Brasil, estabelece diretrizes internacionais para a proteção, valorização e transmissão das manifestações culturais tradicionais.
Esse instrumento reconhece o patrimônio cultural imaterial como elemento essencial da diversidade cultural e da identidade dos povos, abrangendo práticas, expressões, saberes e tradições que são continuamente recriados pelas comunidades em resposta ao seu ambiente, à sua história e à sua interação social.
A Convenção reforça a importância da participação ativa das comunidades, grupos e indivíduos na salvaguarda de seus próprios patrimônios culturais, reconhecendo-os como protagonistas na preservação e transmissão dos saberes.
Entre seus princípios fundamentais, destaca-se a necessidade de promover políticas públicas integradas, ações educativas, registro e documentação, além da cooperação internacional entre os países, visando garantir a continuidade dessas manifestações para as futuras gerações.
Ao aderir à Convenção, o Brasil reafirma seu compromisso com a proteção do folclore como patrimônio cultural imaterial vivo, alinhando suas políticas nacionais às diretrizes internacionais e fortalecendo a valorização da cultura popular no cenário global.
6.5 Sistema de Salvaguarda (IPHAN)
Inclui registros, inventários e planos de preservação cultural.
O sistema de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial, coordenado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, constitui um conjunto de instrumentos técnicos e políticas públicas voltadas à proteção, valorização e continuidade das manifestações culturais brasileiras.
Esse sistema compreende ações de identificação, registro, inventário, documentação e elaboração de planos de salvaguarda, assegurando que os saberes, práticas, celebrações e formas de expressão do folclore sejam reconhecidos e preservados em seus contextos sociais e culturais.
Entre seus principais instrumentos, destacam-se os registros de bens culturais de natureza imaterial e os inventários de referências culturais, que permitem mapear, acompanhar e fortalecer as manifestações populares em todo o território nacional.
A salvaguarda, nesse contexto, não se limita à preservação estática, mas envolve o apoio à continuidade das práticas culturais, garantindo condições para que mestres, grupos e comunidades possam manter vivas suas tradições e transmiti-las às futuras gerações.
Dessa forma, o sistema de salvaguarda reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a proteção do folclore como patrimônio cultural vivo, dinâmico e essencial à identidade nacional.
- Diretrizes estratégicas da carta
7.1 Diretrizes de Atuação
Os folcloristas reunidos neste Congresso afirmam diretrizes que orientam sua atuação no campo da cultura popular brasileira:
- fortalecer a pesquisa, o registro e a documentação das manifestações culturais populares;
II. respeitar e valorizar as comunidades detentoras dos saberes tradicionais;
III. incentivar a formação de novas gerações de folcloristas;
IV. ampliar o diálogo entre cultura popular, educação e universidades;
V. utilizar tecnologias contemporâneas como instrumentos de difusão;
VI. defender a diversidade cultural brasileira;
VII. promover intercâmbio cultural entre regiões e povos;
VIII. fortalecer espaços de encontro e reflexão entre folcloristas.
7.2 Proposições Nacionais para o Fortalecimento do Folclore Brasileiro
Programa Casas de Saberes dos Mestres da Cultura Popular
Propõe-se a criação de espaços permanentes de convivência cultural destinados à transmissão contínua dos saberes tradicionais. Esses espaços devem funcionar como centros de referência nos territórios, promovendo encontros entre mestres, educadores, jovens e comunidades, integrando práticas culturais, memória e formação. Sua estrutura poderá dialogar com escolas, universidades e instituições culturais, garantindo a continuidade dos conhecimentos e o reconhecimento dos detentores desses saberes
Programa Jovens Folcloristas do Brasil
Tem como objetivo formar novas gerações de folcloristas, integrando cultura popular e tecnologias contemporâneas. O programa incentiva o uso de ferramentas digitais, produção audiovisual e estratégias de comunicação para ampliar a difusão das manifestações culturais. Busca-se fortalecer o protagonismo juvenil, promovendo a conexão entre tradição e inovação, garantindo que os saberes populares sejam preservados e reinterpretados pelas novas gerações.
Programa Núcleo de Carnaval da IOV Brasil – “Escola de Samba vai à Escola”
Propõe a integração entre cultura popular e educação formal, reconhecendo as escolas de samba como espaços vivos de formação cultural, transmissão de saberes e expressão do patrimônio cultural brasileiro. Compreende-as como territórios de produção cultural onde se articulam diversos conhecimentos e ofícios, reunindo mestres da cultura popular, coreógrafos, artesãos, eletricistas, costureiras, arquitetos, cenógrafos, carpinteiros, serralheiros, decoradores e carnavalescos, constituindo um amplo sistema de saberes tradicionais e contemporâneos.
Nesse sentido, reafirma-se o reconhecimento das escolas de samba como patrimônio cultural, por sua relevância histórica, social e simbólica, bem como por sua capacidade de preservar e transmitir saberes entre gerações. O programa valoriza o carnaval para além do desfile, promovendo sua inserção nos espaços educativos como instrumento de aprendizagem, identidade cultural e cidadania.
Ciclos Nacionais de Palestras
Consistem na realização contínua de encontros formativos, palestras e seminários com especialistas, mestres e pesquisadores. Esses ciclos visam ampliar o acesso ao conhecimento, estimular a reflexão crítica e fortalecer o campo do folclore como área de estudo e prática cultural, promovendo o intercâmbio de saberes em âmbito nacional.
Programas de Valorização do Artesanato
Destinam-se ao fortalecimento do artesanato como expressão cultural e atividade econômica. As ações incluem a valorização de artesãos, especialmente aqueles em contextos de invisibilidade, a promoção de redes de comercialização, a difusão de técnicas tradicionais e o incentivo à transmissão de conhecimentos entre gerações, contribuindo para o desenvolvimento sustentável dos territórios culturais.
Formação Acadêmica e Técnica
Prevê a ampliação da formação em cultura popular por meio de cursos de pós-graduação em Folclore e Artes Populares, além de programas de capacitação técnica. Destaca-se a utilização de plataformas como a Fundação Roberto Marinho, por meio da Co.liga, ampliando o acesso à formação cultural qualificada em todo o território nacional.
Oficinas com Especialistas
Propõem a realização de atividades formativas presenciais e virtuais, conduzidas por mestres, pesquisadores e profissionais da cultura popular. As oficinas têm caráter prático e teórico, promovendo a troca de experiências, o aprendizado de técnicas tradicionais e o fortalecimento das práticas culturais em diferentes regiões do país.
Formação de Jurados da Cultura Junina
Realizado em parceria com a Academia Brasileira da Cultura Junina, o programa consiste na promoção de cursos e encontros formativos voltados à capacitação de profissionais para a avaliação das manifestações juninas, fortalecendo a qualificação técnica e cultural dos processos de julgamento.
A iniciativa assegura o respeito às tradições, aos contextos regionais e às especificidades das expressões juninas, reconhecidas como patrimônio cultural imaterial brasileiro, contribuindo para o fortalecimento, a valorização e a continuidade das festas populares em todo o país.
7.3 Reflexão Institucional: O Papel da IOV Brasil
Articulação nacional e fortalecimento do folclore como campo próprio.
Os folcloristas reconhecem os desafios atuais relacionados à continuidade das tradições culturais.
Nesse contexto, destaca-se o papel da IOV Brasil como Pontão de Cultura, responsável por articular, promover e fortalecer as culturas populares.
Após o Congresso, reafirma-se a necessidade de intensificação de ações voltadas à formação, valorização dos Mestres, criação de espaços culturais, inserção na educação, difusão cultural e articulação de políticas públicas.
Nesse sentido, considerando os debates realizados no eixo Políticas Públicas e Cooperação Cultural, reforça-se que o fortalecimento do folclore brasileiro passa, necessariamente, pelo reconhecimento de sua especificidade conceitual e de sua importância estratégica.
Afirma-se que o folclore não deve ser subordinado ou diluído de forma genérica no campo da cultura popular, devendo ser compreendido como um campo próprio, com metodologia consolidada, práticas sociais específicas e papel estruturante na formação da identidade cultural brasileira. Recomenda-se, portanto, que documentos oficiais, como planos, editais e legislações, adotem terminologia precisa, reconhecendo o folclore em sua singularidade.
A partir das discussões, apresentam-se as seguintes recomendações complementares:
- incentivar a criação de programas de transmissão de saberes, como iniciativas que promovam a presença de Mestres e Mestras da cultura popular nos espaços educativos, fortalecendo a relação entre tradição e escola;
- fomentar a realização de congressos, encontros, seminários e espaços permanentes de debate, garantindo a continuidade das reflexões e o fortalecimento do campo do folclore;
III. estimular a criação de editais específicos voltados à cultura popular, utilizando mecanismos de financiamento existentes, de modo a fortalecer espaços culturais comunitários e iniciativas tradicionais;
- promover a desburocratização do acesso às políticas públicas, assegurando condições de participação para Mestres e Mestras, inclusive por meio de linguagens acessíveis, como registros audiovisuais e apoio técnico;
- orientar e qualificar pareceristas para avaliação de projetos culturais, considerando as especificidades dos saberes tradicionais e a diversidade das formas de expressão cultural;
- incentivar a criação e efetivação de mecanismos de apoio e reconhecimento aos Mestres e Mestras da cultura popular, garantindo condições dignas de continuidade de suas trajetórias;
VII. promover ações de registro e documentação das manifestações culturais, por meio de parcerias institucionais, assegurando que os acervos pertençam às comunidades de origem;
VIII. fortalecer a cooperação cultural em âmbito nacional e internacional, incentivando intercâmbios, circulação de saberes e o reconhecimento da cultura popular brasileira no mundo, com o apoio de redes como a IOV Brasil;
- reconhecer o folclore como ativo estratégico da economia da cultura, considerando seu potencial na geração de trabalho, renda, turismo cultural e produção criativa, fortalecendo os territórios culturais;
- incentivar a construção de políticas públicas estruturantes, que garantam a continuidade, a salvaguarda, a valorização e a difusão do folclore brasileiro em âmbito nacional.
Reafirma-se, por fim, que o folclore deve ser compreendido como uma expressão viva, dinâmica e em constante transformação, constituindo-se como memória em movimento no tecido cultural da sociedade brasileira.
Desenvolver e efetivar políticas públicas voltadas ao folclore implica reconhecer sua centralidade na construção da identidade nacional e na valorização da diversidade cultural.
Assim, proteger, fomentar e fortalecer o folclore brasileiro configura-se como um ato de responsabilidade coletiva e de afirmação da soberania cultural do país.
7.3.1 Proposições para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial
Em desdobramento das diretrizes apresentadas, os participantes do I Congresso Brasileiro de Folcloristas propõem o fortalecimento das políticas de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial no Brasil, por meio de medidas estruturantes que garantam sua continuidade e sustentabilidade.
Destaca-se a necessidade de constituição de fundo específico, em âmbito nacional e estadual, voltado à manutenção das manifestações culturais reconhecidas como patrimônio.
Recomenda-se a implementação de editais em formato de premiação, direcionados ao fortalecimento dos bens imateriais patrimonializados, assegurando reconhecimento direto aos seus detentores.
Aponta-se como prioritária a agilização dos Planos de Salvaguarda, garantindo sua efetividade e adequação às realidades dos territórios e comunidades.
Reafirma-se a importância da participação ativa de mestres, brincantes e detentores dos saberes tradicionais nos processos de organização, gestão e avaliação das manifestações culturais.
Indica-se o fortalecimento da articulação entre agentes culturais tradicionais, em nível regional e nacional, com apoio institucional das Secretarias de Cultura e do Ministério da Cultura, com mediação do IPHAN.
Por fim, propõe-se a criação de canais permanentes de diálogo entre a IOV Brasil e o IPHAN, visando o aprimoramento das políticas públicas e o fortalecimento da salvaguarda do patrimônio cultural imaterial no país.
7.4 Recomendações
- criação de programas de transmissão de saberes;
II. fortalecimento de congressos e encontros;
III. estímulo a editais culturais específicos;
IV. desburocratização do acesso às políticas públicas;
V. qualificação de pareceristas;
VI. reconhecimento dos mestres;
VII. registro das manifestações;
VIII. cooperação cultural nacional e internacional;
IX. reconhecimento do folclore como ativo econômico;
X. construção de políticas públicas estruturantes.
7.5 Direcionamentos Estratégicos para o Futuro do Folclore Brasileiro
- Formação de novas gerações
II. Valorização dos Mestres
III. Implantação das Casas de Saberes
IV. Fortalecimento da infância cultural
V. Difusão nacional e internacional
VI. Formação continuada
VII. Articulação de políticas públicas - Compromisso dos Folcloristas
Reunidos em Araçatuba, Folcloristas de diferentes campos do conhecimento, mestres, brincantes, artesãos e apaixonado por folclore de todas as regiões do Brasil reafirmam seu compromisso com a preservação, valorização e difusão da cultura popular.
Este compromisso reconhece que o folclore é mais do que tradição: é memória viva, é identidade, é emoção, é história contada, dançada e cantada. Folcloristas de todos os cantos acadêmicos, mestres, brincantes, artesãos e apaixonados, unem suas vozes para garantir que essas manifestações continuem a florescer.
O futuro da cultura popular brasileira depende da dedicação de cada folclorista que pesquisa, pratica, ensina e compartilha os saberes de nossos ancestrais. É um compromisso de cuidado, de ética e de ação, para que cada gesto cultural continue a inspirar novas gerações.
Na união das vozes e na diversidade das práticas, afirmamos: o folclore brasileiro jamais será esquecido. Ele viverá, crescerá e encantará, transmitindo às crianças, jovens e adultos a riqueza das nossas histórias, a força das tradições e a esperança de um futuro cultural vibrante e inclusivo.
Assumimos, assim, o compromisso de ser ponte entre o passado e o futuro, honrando os que vieram antes, fortalecendo os que mantêm viva a cultura no presente e preparando o caminho para as novas gerações que continuarão essa história.
- Chamado Nacional
Chamamos todos os folcloristas do Brasil a reconhecerem sua responsabilidade na preservação, valorização e transmissão das culturas populares.
Que caminhem juntos, fortalecendo o diálogo entre tradição e conhecimento, entre comunidade e universidade, entre experiência ancestral e pensamento contemporâneo.
Que este chamado inspire novas ações, projetos e iniciativas capazes de fortalecer o reconhecimento da cultura popular brasileira.
Que cada folclorista, em seu território, em sua comunidade e em sua prática, torne-se agente ativo na continuidade dessa herança cultural, garantindo que o folclore brasileiro permaneça vivo, respeitado e em constante transformação, sem jamais perder suas raízes.
- Reconhecimento Histórico e Valorização das Mulheres no Folclore Brasileiro
A Carta Brasileira dos Folcloristas reconhece a importância de ampliar a visibilidade histórica das mulheres que contribuíram de forma decisiva para a construção, registro, estudo e transmissão do folclore brasileiro.
Entre essas referências, destaca-se Alexina de Magalhães Pinto, educadora, pesquisadora e pioneira nos estudos da cultura popular no Brasil, cuja atuação integrou o folclore aos processos educativos, contribuindo significativamente para sua valorização no contexto da formação cultural.
Sua trajetória representa um marco na compreensão do folclore como instrumento pedagógico e cultural, sendo referência para práticas que ainda hoje influenciam a educação brasileira, tendo, inclusive, influenciado gerações de educadores, entre os quais Cecília Meireles, que foi sua aluna.
Diante disso, os folcloristas reunidos no I Congresso Brasileiro de Folcloristas propõem:
- o reconhecimento institucional da contribuição de Alexina de Magalhães Pinto para o folclore e a educação brasileira;
II. o incentivo à realização de estudos, publicações e ações de difusão que valorizem seu legado;
III. a valorização do protagonismo feminino no campo do folclore, reconhecendo o papel fundamental das mulheres na preservação, transmissão e reinvenção das culturas populares;
IV. a articulação para a instituição do dia 4 de julho como data simbólica de homenagem às mulheres folcloristas do Brasil.
“Somam-se a essa trajetória outras mulheres fundamentais para o fortalecimento do folclore brasileiro, como Zezé Colares, primeira presidente da IOV no Brasil e uma das fundadoras da IOV Mundial, com atuação decisiva na difusão das tradições populares e na consolidação institucional do folclore no país; Inezita Barroso, cuja trajetória artística e intelectual contribuiu para o registro e a valorização da cultura popular; e Luiza Cavalcante Maciel, pintora, escritora, escultora, professora de Arte e folclorista, que, ao ser eleita na cidade de Schlitz, Alemanha, Delegada Oficial do Conselho Internacional das Organizações de Festivais Folclóricos e Artes Tradicionais (CIOFF®/UNESCO), abriu caminhos para a inserção de grupos folclóricos brasileiros nos festivais internacionais a partir de 1982.
Destacam-se, ainda, pesquisadoras como Laura Della Mônica, Ângela Savastano e Januária Cristina Alves, com relevante produção intelectual e atuação contemporânea na difusão do folclore, da literatura e da educação midiática no Brasil, contribuindo para o diálogo entre tradição e novas narrativas culturais.”
Reconhece-se, também, a importância dos folcloristas contemporâneos que seguem em plena atuação na construção do presente e do futuro da cultura popular brasileira.
Reconhece-se, igualmente, que o campo do folclore brasileiro foi estruturado por diferentes gerações de estudiosos, pesquisadores e agentes culturais, cujas contribuições permanecem como referência para o presente e o futuro. Nesse conjunto, destacam-se nomes como Luís da Câmara Cascudo, Mário de Andrade, Florestan Fernandes, Rossini Tavares de Lima e José Sant’anna, entre outros que contribuíram para a consolidação dos estudos e da valorização da cultura popular no Brasil.
Este reconhecimento reafirma o compromisso da presente Carta com a justiça histórica, a valorização da memória e a construção de um campo folclorista mais inclusivo, representativo e consciente de suas raízes.
Honrar quem veio antes é iluminar o caminho de quem virá depois, e é com esse espírito que se afirma o compromisso coletivo dos folcloristas do Brasil.
“Resgatar nomes esquecidos é reconstruir caminhos.
Sem memória, não há identidade.
Sem reconhecimento, não há justiça.”
- Declaração Final
É sob a luz desse compromisso, que nasce da memória, se fortalece no reconhecimento e se projeta no futuro que, da cidade de Araçatuba, no coração do Estado de São Paulo, ergue-se a Carta Brasileira dos Folcloristas, tecida pelo esforço coletivo de representantes de 15 estados, como testemunho vivo de um compromisso que atravessa o tempo: preservar, celebrar e projetar o futuro da cultura popular brasileira.
Esta Carta não é apenas um documento.
É expressão de uma construção coletiva.
É voz que ecoa dos territórios, das comunidades, das tradições e dos saberes do povo brasileiro.
Foi escrita por professores, doutores, pós-doutores, especialistas em folclore, mas também por brincantes, mestres da cultura popular, artesãos e guardiões da tradição oral. Dos espaços acadêmicos às vivências populares, todos contribuíram para sua construção, reafirmando que o folclore é um patrimônio vivo, inclusivo e profundamente enraizado na experiência do povo.
Aqui, o conhecimento não se limita ao papel.
Ele se manifesta no corpo que dança, na mão que cria, na voz que canta, na memória que resiste.
Que este documento sirva como guia, referência e inspiração para todos que dedicam suas vidas à preservação, estudo, prática e difusão do folclore brasileiro. Que cada gesto, cada celebração, cada história contada mantenha vivas as raízes do nosso povo.
Que os jovens folcloristas de hoje e de amanhã encontrem neste legado não apenas orientação, mas também força, criatividade e propósito para seguir cultivando tradições, reinventando linguagens e garantindo a continuidade da cultura popular brasileira.
Que cada saber preservado seja semente.
Que cada prática compartilhada seja caminho.
Que cada memória transmitida seja permanência.
Neste momento, o Brasil não apenas reconhece o seu passado.
– Ele assume, de forma consciente, a responsabilidade pelo seu futuro cultural.
Na união dos folcloristas, na diversidade de suas vozes e na continuidade de suas práticas, afirmamos com convicção:
O folclore brasileiro não será esquecido.
Ele viverá, crescerá e continuará a encantar, hoje e sempre, como expressão viva da identidade de um povo que se reconhece em suas raízes.
“Na união dos folcloristas, o folclore jamais será esquecido.”
E, para que produza seus efeitos institucionais, públicos e legais, firma-se a presente Carta Brasileira dos Folcloristas, aprovada no âmbito do I Congresso Brasileiro de Folcloristas – IOV Brasil, como expressão legítima da construção coletiva dos participantes, com a presença de representantes de 15 estados brasileiros.
Araçatuba, Estado de São Paulo, 15 de março de 2026.
Antonio Clerton Vieira da Silva
Presidente – Organização Internacional de Folclore e Artes Populares / Secção Brasil
CPF: 221628013-53
Eduardo Benzatti do Carmo
Presidente do Comitê Científico
CPF: 073296328-13
Relatores:
Eduardo Benzatti
Josier Ferreira
Lilian Vogel
Amarildo de Mello
Representantes de 15 Estados Brasileiros
CRÉDITOS
Idealização e Realização:
IOV Brasil – Pontão de Cultura
Centro de Tradições Culturais de Araçatuba
Co-realização:
Prefeitura Municipal de Araçatuba
Apoio Institucional:
Ministério da Cultura
Apoio Acadêmico:
UNIJUÍ / URCA
Articulação Internacional:
International Organization of Folk Art (IOV)