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Carta aberta ao Brasil

IOV  –  ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DE FOLCLORE E ARTES POPULARES

 

CARTA ABERTA AO BRASIL


Sobre o I Congresso Brasileiro de Folcloristas
E a distinção histórica entre Congressos de Folclore e Congressos de Folcloristas

Ao povo brasileiro,
aos mestres e mestras da cultura popular,
aos pesquisadores, educadores, gestores culturais, artistas, estudantes,
e a todos aqueles que, direta ou indiretamente, dedicam-se à cultura popular tradicional do Brasil.

O I Congresso Brasileiro de Folcloristas nasce de um compromisso profundo com a memória, com o saber e com o futuro da cultura popular brasileira. Surge como um espaço de encontro, reflexão, escuta qualificada e reconhecimento daqueles que, ao longo de décadas, constroem, pesquisam, salvaguardam e transmitem o folclore em seus múltiplos territórios, linguagens e formas de expressão.

Diante de manifestações que afirmam, de forma equivocada, que o Congresso Brasileiro de Folcloristas seria “a mesma coisa” que um Congresso Brasileiro de Folclore, torna-se necessário, com respeito, serenidade institucional e responsabilidade histórica, esclarecer publicamente as diferenças conceituais, simbólicas e institucionais entre essas duas iniciativas, ambas legítimas, porém distintas em natureza, objetivos e protagonismos.

 Congresso Brasileiro de Folclore: objeto, tema e campo de estudo

Historicamente, os Congressos Brasileiros de Folclore desempenharam, e continuam desempenhando papel fundamental na consolidação do campo dos estudos folclóricos no Brasil. São espaços dedicados ao folclore enquanto objeto de estudo, campo de pesquisa e fenômeno cultural.

Nesses congressos, o foco principal recai sobre:

  • o folclore como tema;

  • as manifestações culturais enquanto objeto de análise;

  • registros, conceitos, classificações, inventários e interpretações;

  • a reflexão teórica, histórica e metodológica sobre as culturas populares.

O folclore, nesse contexto, é observado, analisado, debatido e interpretado, fortalecendo o conhecimento acadêmico e institucional sobre o patrimônio cultural brasileiro.

 Congresso Brasileiro de Folcloristas: sujeitos, trajetórias e protagonismo

O Congresso Brasileiro de Folcloristas, por sua vez, inaugura uma outra lógica, um outro lugar simbólico e um gesto político-cultural inédito no país.

Aqui, o centro não é apenas o folclore como tema.
O centro são os folcloristas.

Folcloristas compreendidos em seu sentido mais amplo e legítimo:

  • pesquisadores;

  • educadores;

  • mestres e mestras da cultura popular;

  • gestores culturais;

  • agentes de salvaguarda;

  • artistas da tradição;

  • comunicadores e formadores culturais.

Trata-se, portanto, de um congresso dos sujeitos que constroem o folclore, e não apenas sobre o folclore.

Reconhece-se, assim, que:

  • o saber não reside apenas nos livros, mas também nos corpos, nas vozes e nos territórios;

  • a cultura popular é produzida, transmitida e protegida por pessoas concretas, com trajetórias e responsabilidades históricas;

  • mestres e mestras da cultura popular não são objetos de estudo, mas intelectuais da tradição, portadores de conhecimento legítimo.

 Por que o I Congresso Brasileiro de Folcloristas é inédito no Brasil

Embora o Brasil possua uma importante história de Congressos de Folclore, nunca antes realizou um Congresso Brasileiro de Folcloristas com esta concepção, este recorte e este protagonismo.

Este Congresso é inédito porque:

  • desloca o eixo do debate do objeto para o sujeito;

  • promove o encontro horizontal entre saber acadêmico e saber tradicional;

  • reconhece o folclorista como agente ativo da cultura;

  • assume a salvaguarda como compromisso ético, educativo e institucional.

Não se trata de substituir nem de competir, mas de ampliar o campo, reconhecer lacunas históricas e fortalecer o ecossistema da cultura popular brasileira.

 Objetivos e relevância

O I Congresso Brasileiro de Folcloristas tem como objetivos:

  • valorizar e reconhecer os folcloristas brasileiros;

  • fortalecer redes de pesquisa, prática cultural e salvaguarda;

  • promover o diálogo entre tradição, ciência, educação e políticas públicas;

  • projetar caminhos para a continuidade da cultura popular;

  • afirmar o folclore como direito cultural e patrimônio vivo.

Não há futuro para o folclore sem o reconhecimento daqueles que o sustentam.

 Aos mestres e mestras da cultura popular

Este Congresso manifesta seu mais profundo respeito e reverência aos mestres e mestras da cultura popular brasileira, razão primeira de sua existência.

Este Congresso não fala sobre os mestres.
Ele fala com os mestres.
E fala a partir do reconhecimento de sua autoridade cultural, ética e histórica.

 A IOV Brasil, a UNESCO e a Cultura de Paz

A IOV Brasil – Organização Internacional de Folclore e Artes Populares sente-se honrada e orgulhosa pela realização do I Congresso Brasileiro de Folcloristas.

Registra-se, para os devidos fins institucionais, que a IOV é uma organização credenciada à UNESCO como Órgão Consultivo, atuando em estrita observância às diretrizes, princípios e compromissos internacionais estabelecidos por esse organismo.

Todas as ações da IOV Brasil, incluindo este Congresso, estão alinhadas à missão da UNESCO e ao princípio fundamental que orienta sua atuação no mundo:

“Por uma Cultura de Paz.”

 Considerações finais e convite ao Brasil

Que este texto sirva para esclarecer, não dividir.
Para somar, não competir.
Para qualificar o diálogo e fortalecer a cultura popular brasileira.

O I Congresso Brasileiro de Folcloristas receberá todos de braços abertos, reafirmando seu caráter democrático, plural e acolhedor.

 Araçatuba – São Paulo
 10 a 15 de março de 2026

Que este Congresso não seja apenas um evento,
mas um marco histórico,
um registro de memória
e um legado para o Brasil cultural.

 

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