IOV – ORGANIZAÃO INTERNACIONAL DE FOLCLORE E ARTES POPULARES
Descubra o folclorista que existe em você
O folclore não está apenas em livros ou festas; ele está em você, nos gestos simples, nas lembranças cheias de sabor e afeto, no cafuné da infância e nas risadas que ainda ecoam, como se o passado continuasse vivo dentro do presente. Ele mora na sua casa, na casa do vizinho, nas ruas por onde você corria, nas praças e quintais, nos vilarejos e cidades, espalhando-se silencioso, mas vibrante, nas pequenas tradições que atravessam gerações.

Lembra do cafuné e do chazinho da vovó, daqueles sabores que só ela sabia preparar? Das histórias contadas à sombra da rede, enquanto as nuvens passavam preguiçosas pelo céu? Das superstições que ganhavam força na infância, como não tomar manga com leite porque a boca “entorta” e que, naquele tempo, eram verdades absolutas?
O folclore vive nas risadas ao brincar na chuva, nas roupas sujas de terra, nas biqueiras das águas, nos jogos de verdade ou desafio, nas brincadeiras com pedras, elástico e corda. Vive nos diários escritos à mão, nas cartas trocadas, nas cantigas que embalavam tardes inteiras, nos causos de família e nas festas juninas e padroeiros, cheias de cores, sabores e cantos que ninguém se cansa de repetir.
Ele está na dança do corpo com alegria pura, na criatividade inventiva dos jogos de rua, na emoção das fogueiras, nos doces e comidas compartilhadas, nas conversas que se prolongavam até tarde. Está nos olhares atentos dos avós que, com voz firme e carinho, transmitiam sabedoria e cuidado, nos “não faça isso” que hoje provocam risadas, e nas tradições que persistem, muitas vezes sem que percebamos.
E o folclore também pode caminhar conosco no presente. Ele se adapta, se reinventa, se conecta às redes sociais, às fotos, vídeos e transmissões ao vivo, mantendo vivas nossas memórias, enquanto celebra o encontro do antigo e do novo. Nas festas juninas, no carnaval, nos cantos, nos passos de dança, tradição e tecnologia andam de mãos dadas, mostrando que a memória popular não envelhece, apenas se transforma.
Descobrir o folclorista que existe em você é perceber que tudo isso, momentos, lembranças, pequenos rituais da vida cotidiana é patrimônio vivo. É reconhecer que você sempre fez parte, mesmo sem saber, de um vasto universo de saberes, jogos, festas, sabores e encantamentos que formam o tecido do nosso folclore.
Então olhe para dentro e reconheça: você é um folclorista anônimo. Talvez tenha esquecido, talvez nunca tenha se dado conta, mas ao revisitar essas memórias, ao sentir o cheiro do bolo da vovó, o som do riacho, a risada de amigos de infância, você se encontra como parte viva de uma tradição que ecoa, invisível aos olhos, mas inescapável ao coração.
Sim, você sempre foi e ainda é, um folclorista.
Sou Folclorista (Cordel)
No quintal ou na rua a brincar,
Na chuva e no sol a me molhar,
Brincadeira antiga a me ensinar
Que o folclore vive no meu olhar.
Cafuné da vovó, chazinho gostoso,
Causos e histórias de um jeito carinhoso,
Manga com leite? Boca entorta, dizia,
Superstição que a infância só fortalecia.
Elástico, pedras, corda a girar,
Jogos de verdade que faziam sonhar,
Cartas e diários escritos à mão,
Pequenos tesouros do coração.
Festa junina com fogueira e quentão,
Padroeiro, forró, dança e canção,
Doces e risadas compartilhadas,
Tradição que atravessa todas as estradas.
O folclore não vive só em livros ou museu,
Ele mora em mim, em você, no céu,
Na rede, no vizinho, na praça a brincar,
No simples gesto de saber contar.
Sou folclorista e tenho orgulho disso,
Mesmo que ninguém saiba, esse é meu compromisso,
Preservar memórias, transmitir alegria,
Entre cantigas, histórias e poesia.
E se o mundo muda e tudo é digital,
O folclore se adapta, é essencial,
Nas redes, nos vídeos, na canção popular,
Sou folclorista, e ninguém vai me calar!