IOV – ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DE FOLCLORE E ARTES POPULARES
Carta Brasileira dos Folcloristas
Sentido, Finalidade e Legado para o Brasil
A Carta Brasileira dos Folcloristas, elaborada durante o I Congresso Brasileiro de Folcloristas da IOV Brasil, realizado em Araçatuba de 11 a 15 de março de 2026, não nasce como um simples documento, ela surge como um marco histórico, um posicionamento coletivo e uma necessidade urgente de organização, reconhecimento e valorização do folclore brasileiro.
Durante décadas, o folclore no Brasil foi sustentado pela força do povo: mestres, brincantes, pesquisadores, grupos culturais e comunidades tradicionais. Sempre existiu prática, vivência e resistência, mas muitas vezes faltou unidade, diretrizes claras e reconhecimento institucional.
– É justamente nesse ponto que a Carta se torna essencial.
Contextualização Histórica e Institucional
A Carta Brasileira dos Folcloristas insere-se em uma trajetória histórica de valorização, estudo e estruturação do folclore no Brasil, dialogando com importantes marcos que contribuíram para o reconhecimento das culturas populares no país.
Nesse contexto, destaca-se a Carta do Folclore Brasileiro, elaborada no âmbito do I Congresso Brasileiro de Folclore, realizado na cidade do Rio de Janeiro, em 1951, documento de grande relevância para a consolidação do pensamento acadêmico e institucional sobre o folclore brasileiro.
A referida Carta representou um passo fundamental na sistematização dos estudos e na valorização do folclore enquanto campo de conhecimento, contribuindo para sua inserção nas políticas culturais e educacionais do país.
A presente Carta, por sua vez, emerge em um novo momento histórico e social.
Ela nasce a partir da escuta, da vivência e da participação direta de folcloristas, mestres, brincantes, artistas, pesquisadores e agentes culturais de todo o Brasil, ou seja, daqueles que constroem e mantêm viva a cultura popular em seu cotidiano.
Assim, enquanto a Carta de 1951 estabeleceu bases conceituais e institucionais para o estudo do folclore no Brasil, a Carta Brasileira dos Folcloristas reafirma o protagonismo dos sujeitos da cultura, propondo diretrizes voltadas à valorização, ao reconhecimento e à organização contemporânea desse campo.
Dessa forma, ambas as Cartas se complementam em seus propósitos históricos, refletindo diferentes contextos e necessidades do país, unidas pelo compromisso comum de preservar, valorizar e fortalecer a cultura popular brasileira.
PARA QUE SERVE A CARTA DOS FOLCLORISTAS?
A Carta foi criada como um instrumento de orientação, mobilização e fortalecimento do campo do folclore no Brasil.
Ela serve para:
- Estabelecer princípios e diretrizes para atuação dos folcloristas
- Organizar o pensamento coletivo sobre cultura popular
- Fortalecer a identidade dos agentes culturais
- Orientar políticas públicas voltadas ao folclore
- Dar visibilidade e legitimidade ao trabalho desenvolvido em todo o país
– A Carta transforma aquilo que sempre foi prática em consciência organizada.
FINALIDADE E OBJETIVOS
A finalidade central da Carta é: dar voz, direção e reconhecimento ao folclore brasileiro.
Seus objetivos incluem:
- Valorizar os saberes tradicionais como patrimônio vivo
- Defender os direitos culturais dos fazedores de cultura
- Promover a preservação das manifestações populares
- Estimular a pesquisa, a educação e a transmissão dos saberes
- Combater a invisibilidade histórica do folclore
– É uma declaração de existência cultural.
PARA QUEM É A CARTA?
A Carta Brasileira dos Folcloristas é destinada a todos aqueles que, de forma direta ou indireta, constroem, preservam, pesquisam, promovem e transmitem as culturas populares do Brasil.
I – Guardiões da Tradição e da Cultura Popular
- Mestres e mestras da cultura popular
• Brincantes dos folguedos populares
• Quadrilheiros e agentes da cultura junina
• Bonequeiros e artistas do teatro de bonecos
• Artesãos e fazedores da cultura tradicional
• Músicos populares, repentistas e violeiros
II – Campo do Conhecimento, Educação e Pesquisa
- Pesquisadores do folclore e das culturas populares
• Educadores e agentes da educação formal e não formal
• Estudiosos e acadêmicos das áreas culturais
II – Grupos, Coletivos e Movimentos Culturais
- Grupos folclóricos e tradicionais
• Companhias, associações e coletivos culturais
• Movimentos culturais populares organizados
IV – Gestão, Instituições e Políticas Públicas
- Gestores culturais
• Produtores e articuladores culturais
• Instituições públicas e privadas
• Organizações da sociedade civil
V – Futuro e Continuidade
- Jovens lideranças culturais
• Novos agentes e aprendizes da cultura popular
VI – Destinatário Maior
– E, acima de tudo, ao povo brasileiro, verdadeiro guardião, criador e transmissor da cultura viva.
Porque o folclore não pertence a um único setor, nem a um único tempo, ele pertence a todos que vivem, preservam e projetam a identidade cultural do Brasil.
UM NORTE PARA OS FOLCLORISTAS DO BRASIL
A Carta se estabelece como um verdadeiro ponto de norteamento nacional.
Ela funciona como:
- Um guia de princípios
- Um elo entre regiões e tradições
- Um instrumento de unidade na diversidade
– Uma bússola cultural para o Brasil.
POR QUE ESSA CARTA FOI IDEALIZADA?
A sua criação responde a necessidades históricas:
- Falta de reconhecimento formal dos folcloristas
- Ausência de diretrizes nacionais
- Invisibilidade de mestres e tradições
- Necessidade de fortalecimento institucional
– O Brasil sempre teve cultura, agora passa a ter organização coletiva com voz oficial.
O PAPEL DA IOV BRASIL – PONTÃO DE CULTURA
A iniciativa parte da IOV Brasil, representante da
International Organization of Folk Art, vinculada à UNESCO.
Como Pontão de Cultura, sua missão é:
- Articular redes culturais
- Fortalecer políticas públicas
- Promover formação
- Dar visibilidade às culturas populares
– Propor a Carta foi um ato estratégico: organizar o presente para garantir o futuro.
O LANÇAMENTO: 22 DE ABRIL DE 2026
A Carta Brasileira dos Folcloristas e o Estatuto dos Folcloristas do Brasil serão lançados oficialmente ao país no dia 22 de abril de 2026.
E essa escolha carrega um simbolismo profundo.
O dia 22 de abril marca historicamente o chamado “descobrimento do Brasil”. Mas, neste novo contexto, essa data ganha um novo significado:
– Não é mais apenas o Brasil sendo descoberto.
– É o Brasil se reconhecendo através de sua própria cultura.
UMA SEMANA DE MEMÓRIA, LUTA E IDENTIDADE
O lançamento acontece em uma semana extremamente simbólica para o país:
- 19 de abril – Dia dos Povos Indígenas
→ Homenagem aos primeiros guardiões da cultura brasileira - 21 de abril – Tiradentes
→ Símbolo da luta por liberdade e identidade nacional - 22 de abril – Redescobrimento do Brasil
→ Agora ressignificado como o dia da afirmação cultural do povo brasileiro
– Essa sequência de datas forma um verdadeiro ciclo de consciência histórica:
origem, luta e reconhecimento.
A IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DO LANÇAMENTO
Lançar a Carta e o Estatuto nessa semana não é coincidência, é posicionamento.
Significa afirmar que:
- O Brasil começa com seus povos originários
- A identidade nacional é fruto de resistência
- A cultura popular é a base da nação
- O folclore é patrimônio vivo e ativo
É um gesto político, cultural e simbólico.
IMPORTÂNCIA PARA O BRASIL
A Carta fortalece o país ao:
- Valorizar sua identidade cultural
- Reconhecer seus fazedores de cultura
- Criar base para políticas públicas
- Posicionar o Brasil no cenário internacional
– Um país que valoriza sua cultura, se fortalece como nação.
LEGADO PARA AS PRÓXIMAS GERAÇÕES
A Carta deixa um legado duradouro:
- Preservação dos saberes tradicionais
- Inspiração para jovens
- Fortalecimento da identidade cultural
- Registro de um momento histórico
- Base para o futuro das políticas culturais
É semente plantada com consciência.
A Carta Brasileira dos Folcloristas é:
- Um marco histórico nacional
- Um instrumento de organização
- Um manifesto cultural
- Um guia de atuação
- Um compromisso com o futuro
E seu lançamento em 22 de abril de 2026 transforma essa data em algo ainda maior:
– Um novo capítulo na história cultural do Brasil.
“No dia em que o Brasil relembra sua história, o seu povo escreve o seu futuro.”




