IOV – ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DE FOLCLORE E ARTES POPULARES
Departamento de Teatro Popular – IOV Brasil
O Departamento de Teatro Popular da IOV Brasil é dedicado à preservação, estudo e difusão das manifestações cênicas tradicionais brasileiras, como autos, cheganças, pastoris, bumbas, farsas e o encantador teatro de bonecos — expressões que traduzem, no palco e nas praças, a alma viva do nosso povo.
Aqui, o teatro é mais que arte: é memória encenada, sabedoria popular transformada em gesto, voz e riso. Cada personagem, cada improviso, cada boneco de luva carrega séculos de tradição e resistência cultural.
O Departamento de Teatro Popular da IOV Brasil apoia artistas, grupos e mestres populares, incentivando a continuidade dessas práticas como formas vivas de arte e de identidade coletiva. Nosso compromisso é dar visibilidade às manifestações cênicas que nasceram no coração das comunidades, e que continuam pulsando nas feiras, nas festas, nas ruas e nos terreiros do Brasil.
Em especial, este departamento abraça com carinho o teatro de bonecos brasileiro, o Mamulengo pernambucano, o João Redondo potiguar, o Babau paraibano, o Mané Gostoso baiano e tantas outras variações regionais. Essa arte de engenho e encanto, feita de madeira, pano e imaginação, é um tesouro do nosso folclore, símbolo de alegria e crítica popular, capaz de ensinar sorrindo e emocionar brincando.
A IOV Brasil convida todos os atores, atrizes, bonequeiros, diretores e amantes do teatro popular a se unirem a esta causa: fazer do palco um espaço de memória viva, onde a cultura popular é protagonista.
Participar do Departamento de Teatro Popular da IOV Brasil é continuar o espetáculo da nossa história — um teatro que nasce do povo, fala com o povo e pertence ao povo.
Venha fazer parte dessa cena!
Porque preservar o teatro popular é manter o Brasil em cartaz todos os dias.
Departamento de Teatro Popular
O que faz o Departamento?
Responsável por preservar, estudar e difundir as manifestações do teatro popular brasileiro, como autos, farsas, cheganças, bumbas, pastoris e outras expressões cênicas tradicionais.
O Departamento apoia grupos, artistas e mestres populares, incentivando a continuidade dessas práticas como formas vivas da arte e da memória coletiva do povo.
Trabalhar os valores culturais do povo nordestino em forma de teatro,
O projeto deste departamento e trabalhar a cultura popular através do teatro. Nosso teatro é popular. Mas, popular para nós, neste projeto é principalmente os teatros de bonecos em todo o país.
Reencontra-se nesse departamento a nossa proposta de divulgação desta arte declarada popular e legítima.
Queremos um teatro de bonecos mais acessível a comunidade por todo o Brasil
Teatro de Bonecos no Brasil
Por Tiago Almeida
Grupo Girino Teatro de Animção
Histórico
Os primeiros bonecos, que se tem notícia, no “Brasil Colônia”, são bonecos de luva portugueses e espanhóis. No século XIX, imigrantes germânicos trouxeram o seu teatro de títeres, o Kaspels Theater, também de luvas.
As apresentações mais antigas de teatro de marionetes, no Brasil, foram mencionadas no Rio de Janeiro, no século XVIII, por Luiz Edmundo, no livro “O Rio de Janeiro no Tempo dos Vice-Reis”. Em Pernambuco surgem as primeiras apresentações do Mamulengo.
Nas diferentes regiões brasileiras, o boneco de luva ou fantoche possui denominações diversas como: Briguela ou João Minhoca, em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro; Mané Gostoso, na Bahia; Mamulengo, em Pernambuco; e João Redondo, no Rio Grande do Norte e Paraíba.
Mamulengo
O Mamulengo é um teatro popular que teve sua origem em Pernambuco, bonecos de luva com técnicas de manipulação rápida e espetáculos populares, de improviso, com repentes e cordeis.
Apresentado em praças, feiras e ruas, em uma linguagem provocativa, debochada e irreverente, com repertórios inspirados diretamente nos fatos do cotidiano popular e interagindo com o público que participava e também construía o espetáculo. Os personagens mais conhecidos foram: a Quitéria, o Cabo, o Coronel, o Simão, o Cangaceiro, o Padre, o diabo e as almas penadas.
De acordo com Luís da Câmara Cascudo em seu “Dicionário do Folclore”, Mamulengo “é uma espécie de divertimento popular em Pernambuco, que consiste em representações dramáticas por meio de bonecos, em pequeno palco, alguma coisa elevado. Por detrás de uma empanada, esconde-se uma ou duas pessoas adestradas, e fazem que os bonecos se exibam com movimento e fala. A esses dramas servem ao mesmo tempo de assunto, cenas bíblicas e de atualidade. Tem lugar por ocasião das festividades da igreja, principalmente nos arrabaldes. O povo aplaude e se deleita com essa distração, recompensando seus autores com pequenas dádivas pecuniárias. Em outras regiões do país a “brincadeira” (como denominam os praticantes desta arte popular), adquire outras denominações como Babau, João Redondo, Cassimiro Côco etc“.
A etimologia do termo “mamulengo” é controversa, presume-se que tenha origem na conjugação das palavras: mão e molengo, mão mole, mão que se move. A tradição ainda resiste no trabalho de diversos Mamulengueiros, principalmente nordestinos, que preservam essa forma popular de arte dramática, o Mamulengo: um teatro popular, de riso e de deboche
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