IOV – ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DE FOLCLORE E ARTES POPULARES
MESTRES IMORTAIS – IOV BRASIL
A Honraria Suprema da Cultura Popular Brasileira
O título Mestre Imortal IOV Brasil é a mais elevada homenagem concedida pela IOV Secção Brasil àqueles que se dedicam, com excelência e paixão, à preservação, transmissão e valorização do folclore e das culturas populares tradicionais do Brasil.
Esta honraria tem como objetivo reconhecer publicamente os Mestres e Mestras detentores de saberes e fazeres ancestrais, cuja atuação é essencial para o fortalecimento da identidade cultural brasileira. São homens e mulheres que, com sabedoria e generosidade, ensinam, encantam e perpetuam expressões vivas da nossa história.
Sobre os Mestres Imortais
Os Mestres Imortais da IOV Brasil são pessoas com grande conhecimento empírico, trajetória reconhecida por suas comunidades e dedicação contínua às manifestações culturais tradicionais. Eles representam a memória viva do nosso povo, a síntese da identidade, tradição, ancestralidade e resistência cultural do Brasil profundo.
Significado do Título
Receber o título de Mestre Imortal IOV Brasil ou de Reconhecimento pela Manutenção das Culturas Populares e Tradicionais é muito mais que uma honraria, é um ato de justiça cultural, que reafirma o valor imensurável do conhecimento popular como legado coletivo e ferramenta de transformação social.
Este reconhecimento simboliza também a retradução, a reapropriação e a preservação das expressões populares, promovendo o necessário diálogo entre o saber tradicional e o mundo contemporâneo.
Por que homenagear os Mestres?
Porque são pilares invisíveis da cultura nacional, que tecem a memória do Brasil com suas mãos, vozes, gestos e ensinamentos. Suas festas, rituais, artes, cantos, celebrações e ofícios compõem o grande mosaico da diversidade cultural brasileira, merecendo proteção, visibilidade e respeito.
A IOV Brasil reconhece, apoia e celebra a importância desses grandes mestres e mestras e, com base nessa convicção, criou em 21 de agosto de 2020 a Galeria Mestres Imortais, marco permanente do nosso compromisso com a valorização do patrimônio imaterial e da cultura popular brasileira.
“MESTRA IMORTAL” Lia de Itamará – Cirandeira de todos nós!
Meu nome é Maria Madalena Correia do Nascimento, mas eu atendo por Lia da Ciranda, comecei a cantar com 12 anos de idade, com 19 anos eu assumi a responsabilidade de me apresentar em Itamaracá e depois em Recife. Depois disso começou a procura dos jornais, televisão, pra saber se Lia existia mesmo porque muita gente não sabia que eu existia… quem é a Lia, se a Lia é uma lenda… Mas eu existo e estou aqui bem tcham, cantando e cantarolando pro povo. Em 1977 gravei um LP, Lia de Itamaracá, rainha da ciranda. O primeiro CD é Eu sou Lia e o segundo é Ciranda de Ritmos… daí comecei a fazer meus shows e seguir pro exterior e pro mundo.
Itamaracá
Nasci e me criei em Itamaracá, minha família sempre foi de Itamaracá. Nunca pensei em sair, faço meus showzinhos, ganho meu dinheirinho e é Itamaracá de volta. Itamaracá é minha praia. O dom que eu tenho quem me deu foi Deus. Eu vivo esse sonho de ser cantora aqui em Itamaracá. Adoro fazer ciranda, adoro cantar.
Turnês
Pra mim mudou muita coisa quando eu passei a ser conhecida, porque se não fosse a propaganda ninguém sabia que eu existia e teve muita reportagem porque eu fiquei mais conhecida. É bom você ter um trabalho pra ser reconhecida, sair pro mundo, pro povo lhe ver e saber que você existe. As turnês internacionais foram muito boas, para mim foi maravilhoso. Eu já perdi a conta de quantos países eu conheci. As pessoas gostam muito da cultura que a gente representa, parece que estou em casa.
Trabalho
Trabalhei como merendeira numa escola, por 28 anos. Era bacana, eu adoro cozinhar e adoro crianças, então, sempre gostei muito desse trabalho. Eu sempre conciliei o trabalho e a música… isso nunca atrapalhou, eu adoro o trabalho de merendeira. Nunca vivi só de música. Sempre vivi do meu trabalho de merendeira, mas é claro que a música também ajuda. Ciranda não tem todo dia, você também não tá gravando todo dia.
Música
Eu tenho que estudar música. Eu me inspiro na onda do mar e vou embora. Eu gosto de ouvir Roberto Carlos, Reginaldo Rossi, Agnaldo Timóteo, Bartô Galeno. Eu sou uma preta cirandeira, cantando com um ganzá na mão, cantando ciranda animada no meio da multidão. Eu sou Lia de Itamaracá, filha de Iemanjá. As duas filhas de Baracho também cantam comigo, as duas são cirandeiras, Bia e Dulce. É maravilhoso trabalhar com elas.
Cultura
O incentivo à cultura de Pernambuco tá fraco. Da cultura de Pernambuco a gente quase não vê mais nada… porque não tem incentivo, não tem ajuda. O povo quer agora é Safadão…. a juventude de hoje nem conhece a ciranda, o coco, o maracatu, o frevo. O espaço cultural caiu no dia 9 de janeiro de 2014. Tô esperando uma emenda parlamentar do Deputado Guilherme Uchoa pra reerguer o espaço. Nesse espaço, tínhamos oficinas e tínhamos shows todos os sábados, era Lia e um convidado… lá tocaram Selma do Coco, Durinha, tocou Glorinha. O espaço cultural sempre lotava de gente.






