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Alexandra Pereira de Oliveira – Mestra Artesã / Rendeira

IOV  –  ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DE FOLCLORE E ARTES POPULARES

ALEXANDRA PEREIRA DE OLIVEIRA

Mestra Rendeira • Artesã • Educadora • Guardiã da Tradição da Renda de Bilro

Aquiraz – Ceará – Brasil

UMA VIDA ENTRE BILROS, FIOS, MEMÓRIA E TRADIÇÃO

Nascida em 24 de dezembro de 1971, Alexandra Pereira de Oliveira é filha de mulher rendeira e pescador, tendo crescido em um ambiente profundamente ligado às tradições e aos modos de vida das comunidades litorâneas do Ceará.

Aos 8 anos de idade, aprendeu com sua mãe os primeiros pontos da renda de bilro, iniciando uma trajetória que se transformaria em um verdadeiro legado familiar. Hoje, são 46 anos dedicados à renda de bilro, mantendo viva uma técnica artesanal transmitida de geração em geração.

Para Alexandra, a renda de bilro ultrapassa a dimensão de um simples produto artesanal. É memória, identidade, resistência e pertencimento.

“Para mim, cada ponto é uma história. A renda é mais que artesanato: é a memória, é a resistência.”

É com esse sentimento que Alexandra continua criando, ensinando e compartilhando os conhecimentos que recebeu de sua mãe, contribuindo para que a tradição permaneça viva e alcance também as novas gerações.

A RENDA DE BILRO COMO LEGADO FAMILIAR

Desde a infância, Alexandra aprendeu a lidar com os bilros, a linha e a almofada, conhecendo pouco a pouco os diferentes pontos e possibilidades de criação.

O conhecimento recebido de sua mãe tornou-se parte essencial de sua identidade. Ao longo das décadas, a prática foi sendo aperfeiçoada e transformada também em linguagem autoral, permitindo que Alexandra desenvolvesse novas peças, desenhos e aplicações para a renda de bilro.

Sua trajetória demonstra como o artesanato tradicional pode permanecer vivo quando os saberes são transmitidos, praticados e reinventados sem perder suas raízes.

Hoje, além de produzir suas próprias peças, Alexandra mantém o compromisso de repassar esse conhecimento à família, a novos aprendizes e à comunidade.

MESTRA RENDEIRA DA PRAINHA

Integrante da ARPA – Associação das Rendeiras da Prainha, em Aquiraz, Ceará, Alexandra atua na valorização da renda de bilro e na divulgação da produção artesanal da comunidade.

Sua trajetória também está vinculada ao Centro das Rendeiras da Prainha, espaço de referência para a produção, transmissão e valorização desse saber tradicional.

Reconhecida por sua experiência e dedicação à técnica, Alexandra possui Carteira Estadual de Artesã e registro no SICAB – Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro, tendo sido reconhecida como Mestra pelo PAB – Programa do Artesanato Brasileiro.

Também integra o trabalho relacionado à Indicação de Procedência (IG) de Aquiraz, fortalecendo a identidade territorial e a valorização dos produtos artesanais associados à região.

A ARTE FEITA À MÃO

A renda de bilro produzida por Alexandra é realizada 100% à mão, sem utilização de máquinas, utilizando preferencialmente linha 100% algodão.

Dependendo do tamanho e da complexidade da peça, o trabalho pode levar de três dias a até seis meses para ser concluído.

Cada criação exige tempo, concentração, domínio técnico e conhecimento dos pontos tradicionais.

Entre os pontos utilizados estão:

  • ponto cheio;
  • traça;
  • trocado;
  • trança;
  • pano aberto;
  • pano fechado.

Mais do que uma técnica, cada ponto representa uma etapa de um conhecimento construído ao longo de gerações.

COMO NASCE A RENDA DE BILRO

A produção da renda começa muito antes do entrelaçamento dos fios.

A almofada, tradicionalmente confeccionada com tecido de chita costurado em formato de saco, é preenchida com palha de bananeira seca.

Sobre ela é colocado o desenho ou molde da peça.

Os bilros, geralmente produzidos em madeira e podendo receber sementes de buriti ou tucum, são utilizados para entrelaçar os fios.

A estrutura é apoiada em uma grade de madeira, enquanto os desenhos são preparados a partir de moldes, tradicionalmente desenhados em papel milimetrado e posteriormente transpostos para o papelão, onde são feitos os furos que orientam a execução da renda.

Assim, entre almofada, bilros, moldes, fios e mãos, nasce uma peça que carrega técnica, tempo e memória.

UMA PRODUÇÃO QUE VAI DO TRADICIONAL À MODA

A experiência de Alexandra permite que a renda de bilro esteja presente em diferentes tipos de produtos e possibilidades de criação.

PEÇAS TRADICIONAIS

Toalhas de mesa, caminhos de mesa, suplás, panos de bandeja, porta-copos, porta-talheres, bate-mão, toalhas de lavabo e panos de prato.

MODA E VESTUÁRIO

Golas, blusas, camisetas, croppeds, vestidos, acessórios, shorts, saias, calças, boleros e peças de moda praia.

MODA PRAIA

Biquínis, cangas, saídas de praia e outras peças desenvolvidas com a técnica da renda de bilro.

DECORAÇÃO

Mandalas, quadros e outras peças decorativas.

PEÇAS SOB ENCOMENDA

Vestidos de noiva, peças para batizados, lembrancinhas e criações especiais.

Entre suas produções estão toalhas de mesa e de centro, caminhos de mesa, suplás, porta-copos, saias e camisetas, entre muitas outras possibilidades.

RENDA AUTORAL DA PRAINHA

Um dos diferenciais do trabalho de Alexandra é a valorização daquilo que denomina “Renda Autoral da Prainha”.

Cada peça nasce do trabalho manual e da experiência da rendeira, preservando a técnica tradicional ao mesmo tempo em que permite novas criações e aplicações.

É uma produção que une tradição e criatividade, mantendo a essência da renda de bilro e, ao mesmo tempo, dialogando com a moda, a decoração e as necessidades contemporâneas.

ARTE, EDUCAÇÃO E TRANSMISSÃO DE SABERES

Para Alexandra, manter uma tradição viva significa também ensinar.

Ao longo de sua trajetória, participou de oficinas, capacitações, rodas de conversa e atividades educativas, compartilhando seus conhecimentos sobre a renda de bilro e falando sobre sua importância cultural.

Em 1996, ministrou uma capacitação pela CEART – Central de Artesanato do Ceará, ensinando a técnica da renda de bilro para 25 mulheres no Centro de Rendeiras da Prainha.

Em 2018, participou de uma vivência promovida pelo Sebrae, experiência que contribuiu para o desenvolvimento de novas possibilidades de desenho e criação de peças em renda de bilro.

Também participa de atividades do SESC, apresentando suas experiências para grupos, ministrando oficinas e participando de rodas de conversa sobre o artesanato e a importância da preservação da renda de bilro.

Atualmente, Alexandra mantém o compromisso de transmitir esse conhecimento à sua sobrinha e a outras pessoas interessadas em aprender a técnica.

RENDA DE BILRO NAS ESCOLAS

Entre seus projetos está a proposta de levar a renda de bilro para as escolas, especialmente para atividades realizadas no contraturno das escolas de tempo integral.

A iniciativa busca aproximar crianças e jovens da cultura local, apresentando a renda de bilro não apenas como uma técnica artesanal, mas como um conhecimento relacionado à história, identidade, memória e cultura do Ceará e do Brasil.

A proposta representa também uma forma de criar novas possibilidades para que o saber tradicional continue sendo transmitido às futuras gerações.

POVO DO MAR – SESC

Alexandra integra o projeto Povos do Mar, do SESC, iniciativa que há anos apresenta os costumes, saberes e tradições das comunidades litorâneas do Ceará.

Nesse contexto, participa expondo trabalhos em renda de bilro, realizando oficinas, conversando com o público e compartilhando suas vivências como artesã e rendeira.

Sua participação aproxima o público dos saberes tradicionais e evidencia a importância da renda de bilro como parte da identidade cultural das comunidades do litoral cearense.

UMA TRAJETÓRIA QUE ULTRAPASSOU FRONTEIRAS

A arte de Alexandra também já ultrapassou as fronteiras brasileiras.

Em 1996, viajou para Mônaco, onde participou da Festa dos 700 anos da Família Real, representando as rendeiras do Ceará.

Em 2013, esteve em Coimbra, Portugal, participando de um intercâmbio promovido pelo SESC Ceará.

Ao longo de sua trajetória, também participou de diversas feiras, exposições e eventos em diferentes estados brasileiros, levando a renda de bilro da Prainha a novos públicos.

ONDE SUA ARTE JÁ ESTEVE

Entre os espaços, eventos e iniciativas dos quais Alexandra participou estão:

  • Feiras da CEART;
  • eventos da ARPA – Centro das Rendeiras da Prainha;
  • Salão do Artesanato, em Brasília;
  • Festival de Inverno de Bonito;
  • FENEART – Recife;
  • FENACCE – Fortaleza;
  • Salão do Turismo, em São Paulo;
  • eventos de artesanato no Espírito Santo;
  • Expominas – Belo Horizonte;
  • exposição de intercâmbio em Coimbra, Portugal;
  • Festa da Família Real de Mônaco – Monte Carlo;
  • Exposição Loja do Bem – Shopping Iguatemi;
  • feiras e atividades do Sebrae;
  • eventos do SESC – Povos do Mar;
  • vendas e apresentações para turistas nacionais e internacionais.

Também fornece peças para a CEART e para a Loja do Bem, ampliando a circulação e a valorização de sua produção artesanal.

UMA TRAJETÓRIA CONSTRUÍDA PONTO A PONTO

A história de Alexandra pode ser compreendida em diferentes momentos.

Infância
Aprendeu com sua mãe a segurar os bilros e a fazer os primeiros pontos da renda.

Juventude
Começou a vender suas primeiras peças, contribuindo para suas próprias necessidades e construindo, desde cedo, sua autonomia por meio do trabalho artesanal.

Vida adulta
Aprimorou sua técnica, ampliou sua produção, participou de feiras, exposições, intercâmbios, oficinas e projetos culturais.

Hoje
Atua como Mestra Rendeira, criando, ensinando e contribuindo para manter viva a tradição da renda de bilro.

UMA MULHER, UMA FAMÍLIA E UMA COMUNIDADE

A trajetória de Alexandra também representa a história de muitas mulheres que encontraram no artesanato não apenas uma forma de expressão, mas uma maneira de construir autonomia, sustentar suas famílias e afirmar sua identidade cultural.

A renda aprendida com sua mãe tornou-se um patrimônio de conhecimento que Alexandra continua transmitindo.

Cada peça carrega, portanto, algo de sua história pessoal, de sua família e da comunidade da Prainha.

ALEXANDRA NA IOV BRASIL

A presença de Alexandra Pereira de Oliveira na IOV Brasil – Organização Internacional de Folclore e Artes Populares – Secção Brasil representa a valorização de um dos mais importantes saberes tradicionais do artesanato cearense.

Sua trajetória como Mestra Rendeira, educadora e transmissora de saberes dialoga diretamente com a missão da IOV Brasil de valorizar a cultura popular, fortalecer seus protagonistas e aproximar os conhecimentos tradicionais das novas gerações.

A renda de bilro, em suas mãos, transforma-se em uma verdadeira linguagem de memória e identidade.

Ao integrar a IOV Brasil, Alexandra passa a fazer parte de uma rede que reconhece a diversidade cultural como instrumento de diálogo entre povos e de construção de uma Cultura de Paz.

UMA MESTRA QUE MANTÉM VIVA A TRADIÇÃO

Alexandra Pereira de Oliveira aprendeu a renda de bilro ainda criança, observando e recebendo de sua mãe um conhecimento que atravessou gerações.

Hoje, décadas depois, continua sentada diante da almofada, entre bilros, fios e desenhos, criando novas peças e ensinando aquilo que aprendeu.

Sua maior obra, entretanto, não está apenas nas toalhas, vestidos, caminhos de mesa ou peças de moda que produz.

Está na capacidade de manter vivo um saber tradicional.

Porque, para Alexandra, cada ponto conta uma história.

E cada nova pessoa que aprende a técnica representa a possibilidade de essa história continuar sendo contada.

“Mantendo viva a tradição da Renda de Bilro da Prainha, um ponto de cada vez.”

IOV BRASIL – CULTURA POPULAR VIVA

IOV Brasil – Organização Internacional de Folclore e Artes Populares
Educar para Transformar.
Por uma Cultura de Paz.

CONTATO E REDES

Alexandra Pereira de Oliveira – Mestra Rendeira

WhatsApp: (85) 99702-8925
Instagram: @alexandra._rendas
ARPA – Associação das Rendeiras da Prainha
Aquiraz – Ceará – Brasil

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Aos vinte e três dias do mês de fevereiro do ano de dois mil e vinte, às oito horas, na Cidade de Nova Petrópolis no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, ocorreu uma Assembleia Geral, com o objetivo de promover todas as formas de arte popular e cultura folclórica como elementos do Patrimônio Cultural Imaterial (ICH), para promover a compreensão e apreciação da diversidade cultural entre todos os povos e, assim, aumentar as perspectivas para a paz mundial.

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